Texto e fotos por Fabiano Polayna I MTB: 48.458/SP
Nessa terça-feira (26), o SIEMACO ABC E REGIÃO transformou seu auditório em palco de um debate urgente: a adultização de crianças e adolescentes. O fenômeno, que ganhou repercussão após a denúncia do vereador Felca, deixou de ser apenas uma preocupação de especialistas para se tornar um problema visível, capaz de atravessar famílias, escolas e até os locais de trabalho.
A advogada Patrícia Lhacer conduziu a palestra e trouxe reflexões fortes sobre o impacto da exposição precoce ao mundo adulto. “Estamos diante de uma geração que perde etapas fundamentais da infância por causa da pressão das redes sociais e da banalização de conteúdos impróprios. Isso gera marcas emocionais profundas, que não podem ser ignoradas”, destacou a palestrante.
Um problema coletivo
A chamada adultização se manifesta quando crianças são induzidas a padrões estéticos, comportamentos e responsabilidades que não condizem com a idade. Especialistas alertam que esse processo acelera ansiedades, amplia inseguranças e ameaça o desenvolvimento saudável das novas gerações.
Para o presidente do SIEMACO ABC, Roberto Alves, discutir o tema dentro do sindicato reforça que a proteção da infância é uma responsabilidade de todos.
“O sindicato não existe apenas para garantir salários e direitos. Ele também é espaço de cidadania. Se não nos mobilizarmos contra a adultização, estaremos falhando com o futuro de nossas crianças”, afirmou.
Sindicato na linha de frente
Os dirigentes da entidade também reforçaram a urgência do tema. Marcelo Lagares (Marcelinho) chamou atenção para o papel da sociedade no enfrentamento desse fenômeno: “Não é um problema privado, restrito às famílias. É uma questão social. Quando trabalhadores e sindicatos levantam essa bandeira, mostramos que a luta pela infância precisa ser de todos nós.”
Já Vanderson Pereira (Pica-Pau) lembrou que os efeitos da adultização estão cada vez mais perceptíveis: “Crianças estão sendo empurradas para um mundo que não lhes pertence. Estão deixando de viver a infância, e isso não pode ser tratado como normalidade. Precisamos reagir, discutir e proteger.”
O amparo da lei
A advogada do sindicato, Silvana Crivelaro, ressaltou que o arcabouço legal já existe, mas depende de mobilização social para funcionar: “A legislação brasileira prevê mecanismos de proteção, mas se não houver engajamento coletivo, essas ferramentas se esvaziam. O sindicato cumpre um papel fundamental ao trazer esse debate para os trabalhadores e ampliar a consciência sobre a causa.”
Mais que uma palestra, um chamado
O evento deixou clara a mensagem: combater a adultização é enfrentar uma forma silenciosa de violência contra a infância. Mais do que uma palestra, a iniciativa foi um chamado à reflexão e à ação. “O SIEMACO ABC reafirma que estará na linha de frente desse debate, lembrando que defender as crianças de hoje é proteger a sociedade de amanhã”, concluiu o presidente do sindicato, Roberto Alves.